domingo, 3 de agosto de 2008

campanha do desapego


Don’t put this note by your face on the pillow
Don’t put this letter in the pocket near your heart
Keep it in the bottom drawer where you hide the sex tools
I pray you always need them*


Há que atirar o coração em alto mar, atado a uma corrente pra que permaneça lá no fundo (cafona, pareceu aquela cena medona do Titanic). Essa é a moda primavera - verão.


*Elbow- I´ve got your number

inquietude a cores num baile de outono


Viver pode ser um dedo continuamente espetado na ferida.

O filme começou com um trecho de Pessoa, fazendo com que, com urgência e imediato, eu baixasse a guarda para ser dilacerada. Me borro de medo de filmes - espelho-da-minha-própria-alma-ali-refletida. É como se, de repente, na surdina, alguém espalhasse todos os meus segredos em cartazes de lambe-lambe pela cidade.

Mãe Dináh estava errada, mas eu não. O filme abarca todos os adjetivos mais lindos do mundo inteiro para qualificar fragmentos, histórias mínimas tingidas de negro, retornos bordados de furta-cor, vidas pairadas sob gente embaçada.

E como dói, mói, tortura. É lindo porque se sofre com gravidade, com veemência e sem dignidade, deep down and even more, e quase todo mundo, inconscientemente, acaba pedindo por mais, porque tristeza pouca é bobagem. É bem por aí.

E assim, como reação em cadeia, comecei a protagonizar os silêncios, os hiatos ruidosos por falta de palavra, as indagações impertinentes, as pequenas explosões causadas sem pólvora; as tormentas internas formadas pela falta de identidade. A vida sem gosto aparente, o olhar sem ver.

Incomoda, perturba e angustia, quase como asfixia, fazendo com que se puxe o ar com mais e mais força, com vontade e com temor.

"Fui, como ervas, e não me arrancaram."
Fernando Pessoa

sábado, 2 de agosto de 2008

verões de insomnia



"Porque eu não sou só um sonhador. Sou um sonhador exclusivamente."


Fernando Pessoa, Livro do Dessassossego.




Este digníssimo senhor, pelo qual eu me apaixono sempre, again & again, deve estar tentando me passar alguma mensagem subliminar sobre esta cidade. É que ele consegue contornar e apagar qualquer mal-estar algum dia causado por este lugar ou pelo seu povo agreste.

E queria que ele ainda estivesse vivo para que eu pudesse cultivar a inocente idéia de um dia encontrá-lo num boteco na baixa lisboeta, bebendo a sua bica, e poder agradecê-lo pelos dias de primavera que perduram o ano inteiro, a cada vez que abro um livro dele.

Car Ma Vie, Car Me Joies, aujourd´hui ça commence avec toi



Confesso: sempre tive medo de encontrar a minha "outra metade" (ou qualquer um dos tantos nomes piegas que dão para o mesmo fim). Cãimbra, calafrio, dor de barriga de não ser a hora certa, de não saber compassar e rimar viver & amar.

Mas é simples assim, como café cai bem com leite, zabumba quebra com forró, cochilo é bem-vindo depois do almoço.

Esta é para ti, meu Mariolo querido, uma declaração sem jeito, como quem ainda tropeça nas próprias pernas, meio baqueada entre sentimentos e palavras - tu é o que melhor há em mim, pelas risadas escrachadas, pelas histórias misturadas, pelas dores tomadas e, principalmente, pela Edith Piaf compartilhada na madrugada.

oh, so good!, oh, so fine!



Há dias em que agradeço por algumas coisas não serem tão boas quanto parecem ser.
E saber que algumas podem ser ainda melhores do que realmente são.

O que me encantam são as possibilidades, as chances que damos para que alguma coisa valha a pena (ou não). Pos-si-bi-li-da-des de mudar de ângulo e ver uma coisa nova.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pollyanna addiction - clap your hands! (and say yeah)


minha "ídala", exercitando a sabedoria da sua felicidade mode ON nos pastos do mundo afora.


Clap your hands!
When I feel so lonely
Clap your hands!
When I won't do nothing
Clap your hands!
When I have no money
Clap your hands!
When it don't seem likely
Clap your hands!
Are you up to something?
Clap your hands!
Where's my milk and honey?
Clap your hands!
When I just look funny
Clap your hands!


É um mantra a ser entoado. Dizem que, uma hora, estas coisas começam a fluir naturalmente, isso de ter pensamentinhos coloridos e contentes e felizes.

todas as partes de cada todo



Por mais que eu seja acometida, vez ou outra, por algum devaneio que me faça crer que conheço alguém ao pormenor, tempos depois a idéia cai por terra. É que existem sempre partes ocultas que, ao serem reveladas, quase que deixam de lado outras partes remanescentes. Quase como aquela lei de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar: uma pessoa nunca-nunca vai mostrar de tudo que é feita, ao mesmo tempo. Há características que são tão imiscíveis que, em teoria de balcão de bar, jamais habitariam o mesmo ser.

Mas, ok, fica tudo ao cargo da volubilidade. Talvez seja esse o segredo de fazer com que cada uma das nossas respectivas característcas convivam harmonicamente, não como peças isoladas, mas cada parte sendo um todo.

domingo, 27 de julho de 2008

vida cigana


Nos últimos 3 anos e meio, mudei de casa 5 vezes. Estou prestes a acrescentar mais uma mudança ao meu resgistro. Tenho sempre a casa às costas. Poderia dizer que é divertido brincar de nomadismo, se eu encontrasse alguma piada em não criar raízes e estabelecer bases em algum canto. É que quando o aconchego começa a surgir, quando o sulco do meu corpo se estabelece no colchão e no travesseiro, já tenho que sair.

Nada tem a minha cara. Meus gostos não estão refletidos nos lugares onde habito. Não esquento terreno, não tenho tempo de ver o acontecimento dos gestos e ações virarem hábito, como acordar no meio da noite e chegar à geladeira sem precisar tatear, no escuro.

Agora será apenas mais um remake do que vem acontecendo. A diferença é que, cada vez mais, encontro este sentimento tão lugar-comum de lar, nas pessoas com quem convivo, com quem partilho amenidades & intimidades. É nestas pessoas que acabo por encontrar meu porto, independente da localização geográfica.

terça-feira, 22 de julho de 2008

a premonição



Adoro um filme que nunca vi, só pela trilha sonora. Minto: trilha sonora + trailer. Ainda nem estreou, mas já recomendo ao mundo como se fosse o meu filme preferido. Alguma coisa me diz que vai ser do caralho. É como grávida que ama um filho antes dele nascer, pelo batimento cardíaco (tá, exagerei). Sügisball.

E se eu estiver errada e o filme for ruim? Mãe Dináh já pagou vários micos, por fakes previsões.